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14 de junho de 2022

“Mulheres negras são raras entre executivos”, e o que podemos fazer sobre isso?

A gente só sonha com o que a gente vê, não é mesmo?

Um dos meus principais lemas, sendo uma mulher negra e em cargo de liderança, gira em torno da importância de sonharmos com o que vemos.

Isso porque eu sei o quanto representatividade importa, principalmente em espaços que mulheres negras são raras. A ausência de uma figura que nos inspire têm um impacto direto em quem somos, e o quanto permitimos nós mesmas de sermos ambiciosas.

Semana passada, o Estadão publicou uma matéria sobre a escassez de mulheres negras em cargos de alta liderança em empresas, e com base nos depoimentos da matéria, o nosso esforço precisa ser dobrado para chegar até estes cargos que tanto almejamos.

Dentre os relatos coletados, tive a oportunidade de participar junto de outros nomes de peso do mundo corporativo, como Nadja Brandão, Solange Sobral, e Rachel Mala (de tiete a dividir matéria… eita mundão que dá volta). Em nossas falas, todas apontamos, de formas diferentes, o mesmo problema – ainda temos muito chão pela frente quando discutimos diversidade e inclusão em empresas.

Segundo uma pesquisa recente feita por uma consultoria de diversidade – a Gestão Kairós, liderada pela minha querida amiga Liliane Rocha – dos 900 líderes entrevistados (nível de gerência para cima), apenas 25% eram mulheres – e somente 3% negras.

Com o Conselheira 101, tentamos mudar essa realidade: desde agosto de 2020, já orientamos cerca de 37 líderes femininas negras, ajudando 41% delas a ingressar em conselhos na primeira turma – e não somos as únicas. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) também tem o PDeC, um programa para impulsionar a diversidade em conselhos, e a implementação das ESGs tem se mostrado verdadeiramente eficaz nestas pautas.

O ponto é que vejo muitas mulheres com um currículo extenso, prontas para se tornarem conselheiras, mas sem enxergar os colegiados como uma possibilidade – afinal, como pensar que somos especiais e vamos romper essas barreiras sociais, se não temos algo palpável que nos inspire?

Atualmente, a população negra no Brasil equivale a 56% do total, e é impossível que não tenhamos 200 pessoas formadas e capacitadas para ocupar esse volumoso número de conselhos da Bolsa (foi o que eu falei pra jornalista no briefing 🙃).

Sabemos que o acesso à educação e às universidades ainda é um dos diversos entraves no avanço da vida corporativa, mas na dúvida se a sua presença pode trazer a mudança, e lhe faltar um alguém por quem olhar…

… Erga o espelho e seja você o seu próprio sonho.

Fonte da imagem: Unsplash

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